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sábado, 20 de março de 2010

. Frágil .

"Eu me sinto às vezes tão frágil...
Queria me debruçar em alguém, em alguma coisa.
Alguma segurança...
Invento estorinhas para mim mesmo o tempo todo...
Me conformo, me dou força, mas a sensação de estar sozinho não me larga.
Algumas paranóias, mas nada de grave.
O que incomoda é essa fragilidade, essa aceitação, esse contentar-se com quase nada.
Estou todo sensível, as coisas me comovem..."

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"Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora.
Para que o protejam, para que sintam falta.
Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço.
Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável.
Bali, Madagascar, Sumatra.
Escreverá: penso em você.
Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece.
Você sente frio e medo, parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos, começa a passar."

Caio F.


[Continuo me comovendo com o que não acontece
e me contentando com o quase nada.
Porque no amor,
o muito ainda é pouco.
E o pouco..
Ahh.. Esse é quase nada..]

.

quarta-feira, 17 de março de 2010

.. Sal e Água.


Bate o vento carregado de sal e água..
(Como aquela água salgada que costumava molhar meus papéis, minhas frases e face..)
O vento bate forte no meu rosto me fazendo perder o fôlego..
(Como quando tua roupa desabotoava assim distraidamente só de te olhar.)

O barco balança
O vento chicoteia quem vai na frente
Eu na frente, peito aberto..

O frio que corta, a água que molha.
O barco balança.
Eu balanço quando penso em ti..

No meio daquele mar, a gente fica tão pequena, tão frágil..
E a dor parece dissolver em meio de tanta onda.

Nada resta senão fechar os olhos e sentir..
Sentir o mar, o vento, o sal..

.. E você, que me aparece distante.



[Ela só queria sair dali e ir ver o mar, amar.
Se afogar dentro daquele que,
naquele momento, 
era o motivo dos seus pensamentos.]

.

terça-feira, 16 de março de 2010

Que eu sempre tenha força..

..para suportar tanta paz.


"(...)Tenho me sentido legal. Mas é um legal tão merecido, batalhado.."

Ela se sente bem, como há muito não se via..
E nas suas últimas conversas com o travesseiro,
Pedia - entre outras coisas - que sempre tivesse força para suportar tanta paz.

E nesses dias de paz,
Acendia um incenso pela casa,
Mentalizava coisas boas
E pensava nos dias em que esteve em cima
E embaixo..
Teve orgulho.
Se renovava.

A força vinha.
Ela sempre soube que vinha, que vem..
Podia sentir!
Livrava-se das suas preocupações
E da falta que sentia do que já era seu..
Pensava na vida..
Em sua vida!
E seguia com um sorriso aberto nos lábios,
(A)guardando a força que a deixava de pé.

[Livrai-me dos olhares que me ferem sem palavras.
Livrai-me das palavras vãs que me ferem sem olhar.]

.

segunda-feira, 15 de março de 2010

. Vontades.. #parte 01


Éramos eu, música, cama e saudade.

Vontade de construir uma ponte, curta e estreita, para poder chegar aí junto com a luz.
Vontade dos almoços no fim da tarde, do riso frouxo e alto.. Do nosso riso!
Vontade da sua voz.. Voz de madrugada, voz de “quero você aqui”.
Vontade de virar pena para chegar até você leve, bem leve.. Te dar paz. Ficar em paz.
Vontade de mãos e abraços..
Vontade de queixo no ombro e carícias nos cabelos.
Vontade de ter jeito para isso..

Passam esses dias de vontades..
Passo eu aqui, metade, até você voltar.

Somos eu, letras, cama e saudade.
Muita saudade.
Enorme saudade.

["Virava pra lá e pra cá na cama.
Estava impaciente..
Até me sentei no escuro.
 Pensei: 'Não era uma posição o que eu procurava.
Era você'." ]


*

sexta-feira, 12 de março de 2010


(...) Olha, fique em silêncio.
Eu gosto do teu silêncio.
Mas também gosto (mais ainda) de tuas palavras - acredite.
Mas não vim aqui para te falar de ruídos - ou não.
Estou aqui para te falar de céu, mar, estrelas e tapioca.. Como naquele dia, lembra?
Ontem, por incrível que pareça, todos os lugares que pisei eu te procurei.. Teus rastros ficaram por lá.
O balançar de teus cabelos e esse teu jeito meio atacado de ser.
Fiquei feliz em poder sentir tua falta - a falta mostra o quão necessitamos de algo/alguém.
É assim o nosso ciclo.
Eu te preciso.
Perto, longe, tanto faz.
Preciso saber que tu está bem, se respira, se comeu ou tomou banho - com o calor que está fazendo neste verão, tome pelo menos uns três ao dia - e pense em mim.  Estou com calor também.
Me faz bem pensar nessas atividades corriqueiras que supostamente você está fazendo.
Ah, e eu estou te esperando, com meu vestido curto, óculos escuros grandes e meu coração pulsando forte.. 
E te abraçar até sentir o mundo girar apenas para nós.
É, eu gosto muito de ti.
Tomei um táxi e me distraí tanto olhando pela janela que no meio do caminho estendi a mão pro banco vazio do lado querendo pegar na tua mão..

. Caio Fernando Abreu .

[Toda a minha saudade e o meu amor de sempre..]

*

terça-feira, 2 de março de 2010

. Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim ..

"Tá limpo.
Sem ironia. 
Sem engano. 
Amanhã, depois, acontece de novo..
Não fecho nada, não fechamos nada..
Continuamos vivos e atrás da felicidade.
A próxima vez vai ser ainda, quem sabe, mais celestial que desta!
Mais infernal também, pode ser, deixa pintar..
Se tiver aprendido lições (amor é pedagógico?), até aproveito e não faço tanta besteira.
Mas acho que amor não é cursinho pré-vestibular.
Ninguém encontra seu nome no listão dos aprovados. 
A gente só fica assim, parado, olhando a medida do Bonfim no pulso esquerdo, lado do coração, e pensando: Pois é, vejam só... não me valeu."
(Caio Fernando Abreu)


[Mas devo dizer que não vou lhe dar
O enorme prazer de me ver chorar
Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago
Meu peito tão dilacerado
(...)
Eu bato o portão sem fazer alarde
Eu levo a carteira de identidade
Uma saideira, muita saudade
E a leve impressão de que já vou tarde..]

*

domingo, 28 de fevereiro de 2010

.. A Casa .


E se essas mãos fossem de mentira
A estrutura dessa casa resistiria por quanto tempo?

Quando a base é frágil
Cada dia se torna um novo desafio.

Manter a casa de pé
E a mobília organizada
Desgasta quando o alicerce é pobre, fraco.
Nada é estável.
Tudo balança..
Rachaduras à mostra.

E a esperança não se renova.
Ela acaba aos pouquinhos
Levando junto essa contrução mentirosa..

É uma pena,
Pois essa casa poderia ser muito bonita
Se as mãos fossem de verdade..

Mas eu não posso fazer tudo sozinha..
Isso é o que me dói mais.

E quando eu montar casa nova,
Se você não estiver dentro,
Não se assuste,
Mas tenha certeza 
Que estarei muito bem 
E muito mal.

Bem por estar longe de você.
Mal por estar longe de você.


[Ultimamente ando sem paciência
para concretos, cal e escavadeiras.
Me calo deixando o tempo passar.
Um dia a casa desaba..

Eu só queria sair ilesa, cara..
Só isso.

E me calo..]

*

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

. Um dia, uma noite e mais um dia..


Tristeza. Incerteza. Mudez. 


Vontade de voltar. Mensagem enviada. 
Mala pronta. Planos encaixotados.
Calor. Choro. Arrependimento. 


Conversa. Choro. Raiva.
Vinho. Calor.
Desculpas. Beijo. Paz.
Sexo. Amor. Calor. Banho.
Mala desfeita. 
Vontade de ficar.


[E resconstituo os pedaços
A gente enfeita o cotidiano
Tudo se ajeita.]

*

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

.:. E quem não é? E quem te garante? .:.



Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. 
Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa.
Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera. Estranho é que ela já apanhou demais da vida.
Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é?
A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas?
A moça... ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar.
As vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera?
E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará.
A moça - que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca - levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário... por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. 
E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda... 
Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.

Sempre Caio.. 
Sabendo me mostrar
Tudo que preciso ver  
E no momento exato..

*

[Estranha sensação lhe viera naquele dia..
A de achar que se moresse naquele instante, 
não ficaria com dó de deixar nada nem ninguém..

E ela só queria ir pra casa.]

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

. Repito e repito..

"Tenho repetido que, no que depender de mim, me recuso a ser infeliz".

Caio Fernando Abreu


[E pela minha lei
a gente era obrigado a ser feliz!]

*